Ontem foi inaugurado o Novo Estádio Corona,em Torréon, México, com o amistoso entre o Santos Laguna, que se utiliza do estádio, e o Santos brasileiro.
O estádio custou 1 bilhão de pesos mexicanos, e tem capacidade para 30.000 lugares, podendo ser expandido para 38.000.
Convidado do amistoso, Pelé declarou entre outras coisas que "em poucos lugares do mundo se constroem complexos tão modernos quanto o estádio Corona", e que gostaria de ver o Santos construir um estádio igual.
Que semelhancas poderiam haver entre esse modelo, e a situação brasileira ?
Bem, vou colocar alguns "senões" nessa história. Eu sei, vcs vão pensar "lá vem o chato colocar algum defeito", e eu sei que sou, e é porisso que eu tenho apenas 6 leitores fiéis. Se fosse menos chato poderia ter mais. Lamento.
Mas o fato é que existem atipicidades sim.
Em primeiro lugar, o "modelo" é diferente porque o Santos Laguna não é um clube de sócios, como o Santos, mas um clube que pertence a uma empresa. No caso específico, a maior industria de bebidas do México, o grupo Modelo. A empresa criou o clube em 1982, como ponta de lança de sua estratégia de marketing visando associar as marcas do grupo ao esporte mais popular do México. Sendo assim, não foi um investimento de mercado, mas uma ação do grupo no sentido de, através do poder financeiro, dar mais visibilidade ao Laguna, que ainda é um clube relativamente pequeno. Pequeno mas com um padrinho poderoso.
O nome do estádio, Corona, é da cerveja mais vendida no país, uma das marcas do grupo, e portanto, não pode se caracterizar como uma operação de naming rights, porque o dinheiro sai de um bolso para entrar no outro (da mesma calça).
Sendo assim, é bem difícil para o nosso Santos, ou qualquer outro clube brasileiro, obter no mercado real os aportes para investimentos semelhantes.
Não acredito no modelo de times de empresas no Brasil. Acredito que nossos clubes de futebol podem ser geridos como empresas (em termos de eficiência), mas não pertencerem a empresas, que em algum momento podem desistir do projeto e repassar os times para os primeiros aventureiros de plantão.
E outra coisa. O estádio nem é essa Brastemp toda, pois 70% dos lugares não são cobertos. Modernidade estranha essa heim Pelé...