quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Copa 2014: As máscaras começam a cair

Ontem foi um dia importante na contagem regressiva para a Copa de 2014 no Brasil. Importante porque finalmente a CBF oficializou o que muita gente já sabia e outros desconfiavam. Além da infra estrutura urbana das cidades sede, também a construção e reforma das arenas esportivas serão financiadas pelos diversos poderes públicos. Não sou o Galvão Bueno, mas isso eu já sabia.

Não que isso em si seja inédito. Afinal, todos os mega eventos organizados no mundo inteiro, são majoritáriamente financiados com recursos públicos. Uns mais outros menos. Os de características olímpicas muito mais que de esportes específicos, como futebol e rugby, por exemplo. Mas o dinheiro público sempre está presente no DNA de todo mega evento. Claro que sediar esses eventos trás inúmeros benefícios para as cidades e países que os sediam, e não preciso ficar aqui citando quais são. É certo também que todos os orçamentos estouram, todos mesmo.
Mas o que não precisamos é de ouvir historinhas.
Primeira historinha. A CBF negocia politicamente as cidades-sedes da Copa, mas para fugir do ônus político das escolhas, tenta nos convencer que as escolhas foram feitas pela FIFA. Aos descontentes, a desculpa singela. A escolha foi da FIFA...e assim, evita-se perder um eleitor.
Mas será que alguem acredita que a FIFA determinou que 2014 seria a Copa "verde" ? Que obrigatoriamente a capital deveria ser uma das sedes ? Ou que Manaus é mais adequada que Belém ? Mais fácil acreditar no curupira.
Segunda historinha. O governo vai participar apenas com as infras urbanas, e o capital privado arcará com a construção e reforma das arenas esportivas.
Na última terça, pelo menos essa segunda caiu por terra. O óbvio foi revelado. Cuiabá, Brasília e Manaus ? Só com muito dinheiro público (não importa de que esfera). Porto Alegre, Curitiba e São Paulo ? Só através de uma polpuda e generosa linha de crédito do BNDES. As outras 6 ? Talvez uma ou outra consiga engatilhar alguma PPP, dependendo da rentabilidade da praça envolvida, mas não tenham muitas esperanças.
E se não for assim, a Copa não sai. Aliás nenhum mega evento em lugar nenhum do mundo sai. Só não precisamos é de ouvir as historinhas.

3 Comentários:

Às 9 de agosto de 2009 20:08 , Blogger Guilherme Mallet disse...

Ricardo,

Não vejo problema no financiamento pelo BNDES, afinal terá que ser pago. Duvido que Inter, Atlético e São Paulo consigam um "calote" no futuro, sem causar uma ciumeira generalizada em todos os demais Clubes do Brasil. Se a reforma de Morumbi, Beira-Rio e Arena da Baixada for com empréstimo a fundo perdido, o governo acabará tendo que construir, no mínimo, estádios para todos os outros grandes clubes do Brasil.

É o oposto do que ocorre com a Lei de Incentivo ao Esporte (também com a LIC), nessa forma que o financiamento é privado, mas quem pagará a conta será o Governo.

Forte abraço,

Guilherme.

 
Às 10 de agosto de 2009 00:41 , Blogger Arenas & Estádios disse...

Guilherme, discordo de vc. Como emprestar dinheiro público para um tomador que não pode ser executado ? Quais seriam as garantias reais destes empréstimos ? os estadios ? Mas vc ja viu algum clube no Brasil ser executado, ter os bens apreendidos ? Isso é empréstimo a fundo perdido. Nesses casos, seria preferivel que os estados e municípios concedessem vantagens fiscais para investidores privados. Abraço.

 
Às 26 de agosto de 2009 22:01 , Blogger Victor A Carvalho disse...

Esses incentivos fiscais são uma boa alternativa!

De qualquer maneira, o São Paulo, Atlético-PR e Internacional devem ser os únicos três clubes nessa situação, já que as demais 9 sedes serão estádios públicos onde muito provavelmente notas superfaturadas vão engolir centenas de milhões de reais. Ou até bilhões. O que é beeem pior do que o não cumprimento de um contrato de empréstimo do BNDES, já que aqui o governo pode reagir da maneira que QUISER e na corrupção não.

 

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