quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Encruzilhadas do tenis brasileiro

Depois da era Guga, o tenis brasileiro passou por um largo período de ressaca. Muitos jogadores apareceram, mas poucos vingaram como potenciais protagonistas em nível internacional. Possivelmente, entre os que não vingaram, talvez estivesse algum bom jogador que sucumbiu ao peso das expectativas pelo aparecimento de um novo Guga. Recentemente passamos por um momento que nos pareceu ser o fundo do poço. Uma derrota dolorosa e humilhante para o inexpressivo Equador, cuja estrela maior é um jogador de passado brilhante, mas hoje com idade avançada e claramente decadente.
Porém, pouco tempo depois desse fato, vivemos hoje um momento bem distinto daquele. Um tenista que vem de uma boa conquista no circuito que o coloca entre os 30 melhores ranqueados, e boas participações de alguns juvenis, sendo que um deles acaba de conquistar o Australian Open da categoria.
Em cima disso, confesso que esperava mais do nosso torneio maior, o Aberto do Brasil, ora em disputa. Esperava sobretudo, um interesse maior do público. Então, qual a razão de arquibancadas tão vazias ? De jogos disputados em horários tão ruins, e com um certo clima melancólico ?
De certo as razões são várias. Vou opinar sobre uma delas. Ao nosso tenis, ao contrário do futebol por exemplo, faltam palcos. Históricamente não conheço nenhum esporte em qualquer canto do planeta, que tenha se desenvolvido sem que grandes palcos tenham sido construídos para ele.
Foi assim na década de 20 do século passado, quando o surto desenvolvimentista pós primeira guerra mundial, propiciou a construção, por exemplo, de Wembley e de San Siro na Europa, e de grandes estádios de beisebol nos Estados Unidos. O reflexo no desenvolvimento dos dois esportes foi notável.
Aqui no Brasil, o que representou para o nosso futebol a construção do Maracanã ?
Eu percebo que o tenis brasileiro pensa muito, e justamente, numa política nacional de formação de bons jogadores, mas se esquece um pouco da nossa paupérrima infra estrutura. Os torneios no Brasil continuam sendo disputados predominantemente em tradicionais clubes fechados, quando algum raro evento internacional acontece, em alguma arena adaptada tipo Ibirapuera, Maracanãzinho, Gigantinho etc, ou em arenas temporárias com cara de coisa improvisada. Não temos nenhum complexo tenístico de porte para a realização de grandes torneios. O citado Aberto do Brasil vem sendo patéticamente disputado nas quadras de um resort distante dos grandes centros, e á mercê do interesse efêmero de seus hóspedes (que via de regra não estão hospedados lá por causa do torneio...).

É evidente que esse produto está mal trabalhado, mas além disso, sinceramente, não acredito que o tenis brasileiro se desenvolva sem que alguns grandes palcos sejam construídos para ele.

5 Comentários:

Às 11 de fevereiro de 2010 20:30 , Anonymous fabio disse...

Bem observado. O motivo da falta de interesse do público está posta, mas, não acredito que a construção de uma arena própria em uma grande capital resolveria, por sinal, corre-se o risco de se tornar um elefante branco.

O que entendo que deva ser feito é um investimento não prevendo lucro, mas sim um retorno social, não basta uma arena, mas sim algum parque que inclua váras quadras de livre acesso e anexas à várias escolinhas.

Com complexo de quadras de tenis, e também de outros esportes não muito populares precisam estar dentro de um contexto de investimento social, associado à escolas, faculdades com uma aparência livre, diferente da elitizada que esse esporte costuma ter

 
Às 12 de fevereiro de 2010 10:55 , Blogger Josué disse...

Olá Ricardo, parece que estão querendo adaptar o sambodromo de SP para realizar a Copa Davis, TÁ SABENDO???
Acho até legal, a formula Indy já será lá.....
Voltando ao Futebol, coloquei no meu humilde blog (http://arenadotimao.wordpress.com/) algumas sugestões para construção de uma arena para a cidade de SP, se quiser dar uma olhadinha....seria ótimo saber de alguém que realmente entende do assunto se estou "viajando" ou se o que eu sugiro é algo possível....
ABRAÇO e PARABÉNS PELOS POST, ESTOU APRENDENDO BASTANTE....

 
Às 12 de fevereiro de 2010 16:44 , Blogger Novas Arenas disse...

Fábio, não estou propondo a construção de uma estrutura. Estou propondo a construção de vários complexos que, ao mesmo tempo que pudessem sediar grandes eventos tenísticos, pudesse ser usado de forma massiva pela população nos demais momentos. Com opções de convivência e lazer agregados. Nada diferente de outros complexos semelhantes mundo afora. Imagine o impulso que o volei e o próprio basquete tiveram e estão tendo, com a melhoria da infra de arenas indoor no país. Pode ser assim com o tenis tb. Eu acredito.

 
Às 12 de fevereiro de 2010 16:52 , Blogger Novas Arenas disse...

Josué, o que eu proponho é exatamente que o tenis deixe de ter como "casas" essas improvisações de espaços.
No mais, parabens pelo blog, e por manter a discussão sobre uma futura arena para o Corinthians em aberto. Sobre o seu post específico, vou dar uma lida e prometo que comento lá no seu blog. Abraço

 
Às 17 de fevereiro de 2010 00:52 , Blogger Guilherme Mallet disse...

O esporte brasileiro sobre com a política das Federações. Tempo atrás, seus chefes eram nomeados pelo General-Presidente de plantão. Depois disso, não houve atenção para um processo de democratização. Ficaram os que lá estavam, perpetuados, indicando sucessores, com tal liberdade que deixaria muitos monarcas com inveja...

Fazer um torneio importante dentro de um resort é reflexo de uma falta de criatividade empreendedora que o esporte brasileiro precisa.

Não conheço a questão do Tênis, mas talvez falta a construção de infra-estruturas medianas nas cidades. E os grandes eventos, acho que poderiam ser nos grandes ginásios. Não? Ginásios multiuso... Infra-estrutura para torcedores e imprensa, prontos...

Abraço.

 

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