segunda-feira, 3 de março de 2008

Reflexão sobre gramados e conceito de multifuncionalidade

Existem aspectos na operação de determinadas áreas de gestão de arenas no Brasil, que me deixam perplexo. Um deles diz respeito a conservação de gramados. Acredito que, mesmo para um leigo, não seja difícil entender alguns conceitos básicos mesmo sem entrar em muitos detalhes. Existem tipos de grama adequadas para a prática esportiva, épocas específicas para plantio, os cortes mais indicados para o estágio da grama, o preparo do solo para que o piso não fique nem muito fofo nem muito duro, e etc. E tb que após o plantio a grama precisa de um tempo para se desenvolver. Pensei exatamente nesses conceitos a respeito da reforma do gramado do Parque Antártica. A época do plantio me pareceu estranha. Normalmente a melhor época (quando existe planejamento), é setembro. Do início do plantio até a reinauguração decorreram em torno de 45 dias apenas. Pelas imagens na TV o gramado apresentava algumas falhas dando a impressão que a mesma tenha sido precipitada. E é aí que quero chegar. Com uma reforma tão recente, e ainda visivelmente num estágio de consolidação, o clube realiza um show de rock em que 40.000 pessoas massacram o gramado por algumas horas. É certo que o espaço foi alugado há muitos meses atrás e que o clube precisa faturar. Hoje em dia se vc perguntar a um dirigente de clube de futebol no Brasil qual o sonho de consumo dele, a resposta quase certamente será: uma arena "multiuso" !!!
Mas qual o conceito de multiuso ? E a resposta já estará na ponta da língua. Um lugar em que o time possa mandar seus jogos, e o clube possa faturar com shows, e outros eventos, esportivos ou não. Bacana. Só que a maioria se esquece do básico. A finalidade principal da arena é a prática esportiva (no nosso caso o futebol), e a conservação do gramado precisa ser impecável. Em arenas onde a tecnologia de "campo deslizante" não existe, o faturamento com eventos alternativos precisa ser visto com muita cautela. Mesmo com o recurso de teto retrátil. A quantidade anual, e o intervalo entre os eventos deve ser muito bem planejado. Acreditar que num campo de grama natural o clube poderá realizar 20 eventos anuais, mais os jogos, é absurdo, pois o faturamento obtido não compensará os prejuízos técnicos e financeiros que acarretarão ao gramado. E vcs ? acham que o Palmeiras fez bem em alugar seu campo nesse momento ? A reforma foi bem planejada ?

1 Comentários:

Às 5 de março de 2008 21:46 , Blogger Web Lady disse...

pootz, para a graminha eu não sei mas para os mais de 10 ônibus que sairam aqui de BH para conferir o show da maior banda de Heavy Metal do Mundo, foi bom pra caralho!!!

Agora sério, é lógico, óbvio que não foi bom para o gramado, uma vez que alguns fanáticos levaram um pouco dela de lembrança, bem como um pedaço da placa que protegia o chão.

Aqui no mineirão passamos a mesma raiva com um outro evento, chamado pop rock brasil, que milhares de pessoas (inclusive eu) pisotearam o gramado na vésera de Atlético e Cruzeiro, resultado, havia um buraco de mais de 30 centímetros, e o jogo precisou ser interrompido sob o risco de machucar alguém.

Já que não dá para uma arena multi uso, que melhorem a administração das datas, pois aqui em BH mesmo tinha estrutura muito melhor para receber o Iron... mas não deu!

Que a força estja conosco!

OBS.: me traumatizei com Ogros palmeirenses cantando rimas esportivas durante o show antes de empurrarem agressivamente os verdadeiros fãs de metal... pela simples vontade irresponsável de chegarem mais perto dos cantores...

 

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