quinta-feira, 10 de abril de 2008

Tumulto na entrada dos jogos: verdades e mentiras

Ontem o Botafogo jogou no estádio Olímpico pela Copa do Brasil. Mais que o jogo em si, o que mais chamou a atenção foi o tumulto provocado antes do jogo pela torcida, que enfrentou problemas para entrar no estádio. Segundo o Diretor de patrimônio do clube, a culpa foi da própria torcida, que chegou em peso apenas 20 minutos antes do início da partida. Alegou que infelizmente é um fator cultural, e que é impossível para qualquer arena ingressar 20 mil pessoas em seu interior em apenas 20 minutos. Será ?
Vamos às verdades. O brasileiro tem o hábito de chegar aos eventos em cima da hora, de comprar as coisas em cima da hora, e de decidir as coisas em cima da hora. É verdade. Esse comportamento tem inclusive prejudicado as vendas antecipadas de carnês de ingressos, exatamente pelo hábito do brasileiro de decidir a compra no último instante. Outra verdade é a impossibilidade de, face a esse tipo de comportamento, montar uma estrutura de pessoal superdimensionada pela simples expectativa da chegada da maior parte dos frequentadores há poucos minutos do início da partida. É óbvio que para uma arena com 45.000 lugares, seria loucura construir 1.000 "catracas de acesso", e manter 500 bilheteiros de plantão.
Reconhecidas as verdades, agora passemos às mentiras. E, de cara, a maior delas é: nada pode ser feito em relação a isso. Mas claro que pode !!!
E só existe uma forma que qualquer gestor de arenas com um mínimo de competência conhece: Oferecer opções de lazer que incentivem os torcedores a chegar mais cedo ao estádio. Como convencer o torcedor a chegar com 2 horas de antecedencia num estádio vazio e carente de qualquer opção de entretenimento ou de serviços ? Apelando para a consciência de evitar tumultos ? Não me façam rir.
No caso específico do estádio do Botafogo, se o clube não montar urgentemente uma estrutura de entretenimento e serviços que pelo menos rivalize com as opções que são oferecidas pelo shopping que se localiza a uma distancia de 10/15 minutos a pé, os tumultos serão rotina, e se tornarão mais um forte fator de desestímulo, além da falta de estacionamento (que o shopping tem de sobra...), já que uma boa parte dos torcedores irá continuar estacionando seus carros, consumindo e se divertindo no shopping até bem perto do início da partida. Quem faria diferente ?
Para aqueles que acompanham meus posts desde o início, eu repito a pergunta que fiz num deles em fevereiro: Voces acham que existe interesse dos clubes em ter nos seus quadros um profissional especialista em gestão de arenas esportivas ? Para mim a resposta continua sendo NÃO, e os exemplos estão na mídia todos os dias.

6 Comentários:

Às 10 de abril de 2008 20:08 , Blogger Pedro disse...

Ricardo,

Sobre este post posso falar com conhecimento, sou botafoguense, o que me leva a ter quase doutorado sobre o Engenhão.

Na minha opinião o clube e seus parceiros têm se equivocado na gestão do gameday.
O estacionamento foi lançado com um preço 2 vezes mais caro que o da região, levando a todos os outros a subirem o seu.
A forma de venda de comidas e bebidas é igual ao Maracanã, outro estádio que conheço muito bem.

Agora sobre o jogo de ontem, na minha opinião a culpa foi de quem organiza as filas, pois se desde a abertura dos portões tivesse sido estabelecido filas em caracóis como nos cinemas e bancos, com o encaminhamento feito através de grades; se durante o percurso das filas havesse maior relacionamento de "funcionários" do clube que desde trabalham com um colete que os diferenciam dos demais mostrando aos pais que iam ao estádio pela primeira vez, eu vi vários totalmente perdidos; isso sem tirar a culpa da torcida que como você mesmo falou não pode chegar na hora do jogo para comprar o ingressoo. Acredito que com essas atitudes não teria tido tanta confusão.

Outra questão que pensei quando entrei, porque não adiaram o jogo em 30 minutos, este jogo não era da tv, acredito que se houvesse uma maior comunicação dentro do estádio ou uma determinação da PM ou Guarda Municipal, que verdade seja dita, não fazem alguma coisa quando o jogo é no Engenhão, e atrasassem o jogo, aflição e o sufoco seria menor.

Abraços.

 
Às 10 de abril de 2008 22:34 , Blogger Babi disse...

Não consigo ver isso somente como "falta de visão".

Deve haver algum motivo por trás para não se pensar em opções de entretenimento. Só pode!

Não posso acreditar que pessoas que pensam em futebol 24h por dia sejam tão cegas nesse aspecto. Sinceramente...

 
Às 10 de abril de 2008 23:52 , Blogger Pedro disse...

Babi,

Sobre o Botafogo/Engenhão segundo informações de jornais, o contrato de concessão previa que os clubes deveriam estar associados a empresas com Know-how para a gestão do estádio. O Botafogo tinha um pré-acordo com o grupo Luso Arenas, porém ninguem sabe porqe não foi para frente, depois houve tentativa de acordo com o grupo TBZ e o mesmo não deu certo.
O clube em si, não tem dinheiro para fazer a gestão conforme sabemos ser correta, acredito que os administradores do clube, tenham em mente um belo projeto de gestão para o estádio, não quero aqui defender ninguém, mas só quem sofreu desde o início da gestão do Bebeto de Freitas, sabe como as coisas vem acontecendo para melhor, não estou analisando a velocidade destas mudanças.
Os atuais gestores comenteram erros, mas também acertos, que na minha opinião até hoje superaram os erros.

Então a verdade é que enquanto o Botafogo for o único gestor do estádio, as "dificuldades" continuarão por muito tempo, pois o dinheiro para investimentos é praticamente nulo.

Abraços.

 
Às 11 de abril de 2008 01:51 , Blogger Arenas & Estádios disse...

Babi, vc já ouviu a expressão "o peixe não vê a água" ? Acho que é isso. Abraço.

 
Às 17 de abril de 2008 20:05 , Blogger Babi disse...

Pedro e Ricardo:
Obrigada pela resposta e desculpa a demora para retorno...!

Pedro, até entendo esse tipo de problema entre clubes e empresas "terceirizadas", mas acho que o post "Tem gente que enxerga" (veio em boa hora, Ricardo!) foi bem esclarecedor, nos mostrando que não é tão difícil assim. Ações que parecem simples e não são tão caras poderiam ser feitas (quanto custa para um time distribuir camisas antes de um jogo? Ou chamar um antigo jogador para trocar uns passes com torcedores que participaram de determinada promoção?).

Um amigo (paranista) recentemente perguntou se eu fui no jogo Coritiba x Paraná, já que sou Coritiba. Falei que não fui porque era fraco, não tinha nada além de um jogo ruim (o futebol paranaense em si tá péssimo!). Mesmo sendo acadêmico de administração, ele acha que não precisa de nada além do jogo.

Nossos dirigentes têm sorte de ainda terem pessoas que pensam como ele!!!

É um prazer trocar idéias com vocês! :)

 
Às 23 de junho de 2008 13:23 , Blogger Guilherme Mallet disse...

Como disse o Ricardo, basta criatividade. São infinitas as possibilidades de entretenimento e promoções para estimular os torcedores a entrarem com antecedencia nos estádios.

Não tenho conhecimento sobre esse tumulto na entrada do Engenhão, mas imagino o que aconteceu: O torcedor se revolta com a DESORGANIZAÇÃO, a polícia responde com VIOLÊNCIA, o torcedor se indigna e tome mais VIOLÊNCIA de todos os lados. É sempre assim.

Como o Pedro disse, coloquem funcionários uniformizados e evitem os furões... Usem grades para organizar o começo da fila e TIREM A POLÍCIA DESSAS FUNÇÕES. NÃO É O NEGÓCIO DELES.

Abraços,

Guilherme Mallet
beirario2014.blogspot.com

 

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