quarta-feira, 9 de abril de 2008

A velha ilha e o eterno problema dos custos

Devemos muito ao Reino Unido. Para começar inventaram a nossa grande paixão. Só isso já bastaria para que os reverenciássemos para o resto de nossas vidas. Mas eles fizeram mais. Foram os pioneiros na regulação esportiva e de eventos, através de Códigos de Segurança, que se tornaram exemplos mundiais. E se não bastasse, ainda foram os responsáveis, na virada dos anos 90, pela grande revolução na construção de estádios de futebol dentro dos novos conceitos que pautaram os projetos do futuro. Mas convenhamos. Controle de custos não é com eles. Primeiro foi o projeto do novo Wembley. Chamar de vergonha é pouco. Seria a jóia da coroa de uma hipotética Copa de 2006 na Inglaterra, pois deveria estar concluído em 2005 para o evento teste. Ficou pronto em 2007. Já pensaram se a Copa tivesse sido lá, que vexame ! O orçamento inicial era de 450 milhões de libras. Saiu pelo dobro. E olhem que, em termos de tecnologia, não tem nada do outro mundo. Na construção aconteceu de tudo. Desapropriações complicadas ( e indenizações polêmicas...), acordos trabalhistas mal negociados acarretando uma infinidade de greves, uma das construtoras faliu e outra licitação precisou ser feita, uma das estruturas principais - o arco monumental - teve que ser refeita, por falha no projeto, e por fim, o gestor geral do projeto pediu as contas.
Resolvi escrever sobre os súditos da rainha, porque me chamou a atenção um relatório da ODA - The Olympic Delivery Authority - emitido essa semana sobre a evolução dos custos de alguns equipamentos que estão sendo construídos para sediar os Jogos Olímpicos de 2012, e que é de cair o queixo. Por exemplo. O Parque Maria Lenk deles, que havia sido orçado em 2004 em 75 milhões de libras, vai sair por 272 milhões ( + de 300% de aumento !!! ). Eles informam que houve grandes mudanças no projeto, pois tiveram que construir um prédio não previsto para adaptá-lo a utilização pública. Com isso o projeto precisou ser compactado, ou seja, precisou ocupar uma área menor (???). Vocês entenderam ? Nem eu. Alem disso, ocorreu uma inflação nos custos de construção, e aumentos significativos nos impostos. Mas a ODA garante que apesar disso tudo continua dentro do orçamento geral de 6,09 bilhões de libras ( que por sinal já tinha sido reforçado em 1,5 bilhão nos ultimos meses...).
Fechando o relatório, uma declaração da gloriosa "Olimpics Minister" Tessa Jowell: "O centro aquático e o estádio olímpico serão os equipamentos diferenciais para 2012, e eu estou encantada por estarem sendo construídas por empresas britânicas".
Well, fazendo uma conexão com a nossa terrinha, isso lembra a vocês alguma coisa ?

Como o tema é importante, voltaremos a ele em outra ocasião.

3 Comentários:

Às 10 de abril de 2008 19:53 , Blogger Pedro disse...

Ricardo,

Sempre leio seu blog, parabéns pelo mesmo, bom o que me levou a escrever pela primeira vez foi uma dúvida que me ocorreu lendo este post:

Na sua opinião a "excelência" em planejamento em elaboração de eventos esportivos é somente qualidade dos gestores brasileiros?

abraços

 
Às 10 de abril de 2008 22:31 , Blogger Babi disse...

Tinha visto essa notícia e guardei com carinho. É o velho senso comum que joga pedra em tudo que é brasileiro e "coroa" o estrangeiro. Mas sempre vale a história que nem tudo é mar de rosas, e os custos com o passar do tempo mudam mesmo. Não que não deva ser investigado as causas do aumento, obviamente. Mas vale a reflexão.

 
Às 11 de abril de 2008 01:45 , Blogger Arenas & Estádios disse...

Pedro, obrigado por prestigiar o blog. Conto com sua contribuição. Na verdade, os gestores brasileiros, pelo menos em relação a arenas esportivas, estão engatinhando. O mercado ainda é muito restrito e pouco maduro para uma avaliação de competência. Mas a Inglaterra, que poderia e deveria ser uma referencia, tem errado demais. Abraço.

 

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