quinta-feira, 25 de março de 2010

E agora seu prefeito ?

A primeira vez que entrei no Estádio Olímpico João Havelange foi em agosto de 2007, portanto pouco tempo após a realização dos jogos Pan Americanos.
Foi num evento para lançamento de uma campanha do Ministério do Esporte nas escolas públicas. Confesso que meu interesse não era o evento em si, mas sim a possibilidade de conhecer as instalações do estádio com calma.
E o que vi não me agradou nem um pouco.
Era nítida a "pressa" na conclusão das obras. Com apenas 2 meses de concluído, algumas mazelas eram visíveis. Infiltrações e rachaduras nas rampas de acesso, muitas poças acumuladas (uma chuva forte havia acontecido 1 semana antes) revelando a fragilidade dos sistemas de "caimento" e escoamento internos, e principalmente, um acabamento final assustadoramente "pobre". Os camarotes ainda estavam em fase final de acabamento mas já se revelavam inadequados (inacreditávelmente divididos por paredes de tijolos, não permitindo a flexibilização das áreas), e com os assentos externos no mesmo padrão de conforto dos demais assentos do estádio (setor Vip ?!?!). Os assentos das arquibancadas imundos por dejetos de pombos (o estádio para quem não sabe é um grande pombal)dando péssima aparência geral.
Os "telões" chamaram minha atenção pela baixíssima qualidade dos equipamentos "made in China", assim como os sanitários, onde a falta de louças individuais e a presença de um constrangedor mictório coletivo (instalado no nível do pé das pessoas !!! ) contrastavam com uma ridícula "tira" de granito a meia altura ao redor das paredes, produzindo uma falsa idéia de luxo e requinte de acabamento. Nada mais falso.

Uma semana após minha visita, e após mais uma chuva intensa, um muro interno simplesmente "caiu de maduro". Desabou, do nada.

Portanto, o Engenhão foi construído assim. Nas "coxas" como dizia meu avô. Cronograma atrasado, turnos de 24 horas durante os últimos meses, o resultado final é reflexo desse mix de falhas na gestão do projeto com "barateamento" dos custos.

Registre-se ainda, que o gramado entregue ao Botafogo quando este assumiu a gestão do estádio, era inadequado até para peladas de várzea.

O que estamos vendo agora, é uma consequência natural do desgaste prematuro da estrutura tendo em vista a forma como foi construído e equipado. Se o clube precisa arcar com esse pepino ? Mas a obra não possui "garantia" por parte do consórcio construtor de 5 anos ?. Ainda não se passaram 3.

O consórcio portanto terá que se "virar nos 30" para resolver esses problemas, mas não só ele. A prefeitura tambem é responsável no momento em que instalou equipamentos (como os telões por exemplo) toscos e baratos, e permitiu que o consórcio construísse o equipamento dessa forma.

Ou a prefeitura não fiscalizou a construção ??? Contem outra.

Obs: Atualização em 26/03

Vários mails chegaram citando outras mazelas do estádio. O objetivo do post não foi o de fazer um inventário dos problemas, que são vários, inclusive em relação ao projeto arquitetônico e, principalmente, ao modelo de negócio, que simplesmente inexiste. Entre aqueles que não citei e que vale o registro, é o da estrutura metálica da cobertura. Foi feita de ferro, mas SEM galvanização, ou seja, corrosão à vista.

3 Comentários:

Às 25 de março de 2010 18:32 , Anonymous Anônimo disse...

Obras da Arena começam em junho
Iniciativa ainda divide movimentos políticos do clube

Luís Henrique Benfica
luis.benfica@zerohora.com.br

A Arena do Grêmio já tem data de início (em junho deste ano) e de conclusão das obras (dezembro de 2012) no bairro Humaitá, zona norte de Porto Alegre. Mas ainda divide conselheiros. Integrantes de um dos movimentos políticos do clube consideram que as penhoras do Olímpico, o financiamento da obra e o uso irregular do terreno da Arena poderão impedir o início dos trabalhos.

Para receber sua nova casa, o Grêmio terá que repassar o Olímpico livre de penhoras à construtora OAS. Começam aí as divergências entre o conselheiro Flávio Jacobus, integrante do Grêmio Acima de Tudo, e Adalberto Preis, presidente da Grêmio Empreendimentos. Segundo o primeiro, as penhoras deverão ser pagas até o início das obras.

Para Preis, a desoneração dura três anos e coincidirá com o final da obra. Além disso, segundo ele, a OAS já concordou em transferir penhoras do Olímpico a outros imóveis.

O gerente jurídico Cláudio Batista adianta que a única penhora que hoje recai sobre o estádio é uma dívida fiscal de cerca de R$ 100 milhões, repactuada no Timemania. O Grêmio procura em Brasília repassar a penhora a terrenos no Cristal ou Eldorado do Sul.

— Há credores que não solicitaram a penhora. Eles podem anular a obra na Justiça se não forem pagos — afirma Jacobus.

Ainda segundo o conselheiro, na área da Arena seria construída a Universidade do Trabalho pelo Círculo de Operários. A venda do terreno para a OAS, portanto, seria ilegal. Preis diz que a discussão está “totalmente desatualizada”, pois uma lei estadual de dezembro de 2008 autoriza ali a construção da Arena. Em troca, a OAS vai erguer a Universidade do Trabalho na zona sul da Capital.

Em entrevista coletiva, a OAS informou que o BNDES aguarda o licenciamento da obra para conceder financiamento. Espera obter 45% dos R$ 400 milhões que serão gastos. Os outros 55% serão recursos próprios.

Segundo Jacobus, o descumprimento de uma das cláusulas, que previa liberação do financiamento até 5 de março, poderia anular o contrato.

O conselheiro também estranha a alteração do contrato original, que previa a participação do Grêmio nos lucros gerados pelas outras unidades do negócio, como os empreendimentos comerciais e residenciais.

— O contrato nunca foi alterado — garante Preis.

http://www.clicrbs.com.br/esportes/rs/noticias/futebol-gremio,2851183,Obras-da-Arena-comecam-em-junho.html

 
Às 26 de março de 2010 13:39 , Anonymous Andrés Montano disse...

Ricardo,

O pior de tudo é que isso não é tão surpreendente. Do jeito que as obras do Pan foram conduzidas não fico surpreso com todas essas falhas. E é uma pena pois o Engenhão é um estádio moderno, bonito, mas cheio de defeitos...

Abraço

 
Às 2 de abril de 2010 19:24 , Anonymous Anônimo disse...

Mas nada disso justifica a mania que os cariocas tem de só conhecer o caminho do Maracanã. De início falaram que a torcida do Botafogo que era desanimada, mas quando o Flamengo precisou jogar lá foi a mesma coisa

 

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