sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A perda do foco

O presidente da CBF concedeu entrevista ao "Arena SporTv" ontem. Quero comentar apenas a respeito de um comentário feito por ele, e que embute um conceito errôneo.
A certa altura da entrevista, o presidente diz que é fácil saber como as novas arenas deverão ser construídas no país nos próximos anos. Basta ler os encargos da FIFA e seguir a cartilha. Fácil.
Mas nada é tão fácil.
Acima de tudo, precisamos renovar nossa infra estrutura de arenas destinadas a futebol que está sucateada. E essa renovação precisa contemplar fundamentalmente novos conceitos de conforto (para torcedores, atletas e demais profissionais), e segurança. A Copa deve ser vista como o "mote" para essa renovação, mas não como sua finalidade. Proceder essa renovação que irá vigorar pelos próximos 30/40 anos apenas seguindo a cartilha da FIFA é um erro grave.
E porque ? Porque na cartilha o foco são os requisitos que uma arena precisa ter para sediar um jogo de Copa, que tem duração de apenas 1 mês. Na cartilha existem exigências e recomendações. A cobertura, por exemplo, é recomendação, não exigência. Haverão estádios na próxima Copa parcialmente descobertos. A cobertura é um ítem que pesa no custo final, e porisso a FIFA não a coloca como exigência, para que o custo seja menor. Então pensando assim, poderíamos construir nossas novas arenas sem cobertura, e baixar sensivelmente o custo final dos investimentos. E condenaríamos nossos torcedores a assistir jogos embaixo de chuva por várias décadas, quando um novo ciclo de renovação se iniciasse. Não podemos perder a oportunidade única que se oferece de um importante "up grade" em nossa infra estrutura, apenas pensando na Copa. Muito além de ler cartilhas, precisamos pensar a longo prazo.

4 Comentários:

Às 12 de setembro de 2009 14:22 , Anonymous Anônimo disse...

Eu li o Manual da FIFA e fora a area da imprensa nao vejo tantos absurdos assim. Sao coisas de bom senso.

O maior problema dos estadios e que ninguem planeja como usar a arena no dia a dia. Falam em shopping, mas shopping la no fim do mundo "nao vira".
Falam em shows, so que o gramado nao aguenta uma alta frequencia de shows.
Falam em restaurantes, camarotes, area VIP, livraria e ate academia. Nada contra, so que estes itens nao CRIAM ponto. E so o aluguel da area nao vai pagar o que foi investido. Ainda mais com o CUSTO da OPORTUNIDADE que o Brasil oferece. Alias, ninguem fala nisto. Curioso!!!

Shoppings em areas mal servidas (como o Tatuape) ate vai la. Mas o que eu gostaria de ver mesmo dentro dos estadios sao escolas de educacao continuada, principalmente de negocios e linguas estrangeiras.

E vc, Ricardo, o que sugere?

 
Às 12 de setembro de 2009 18:47 , Blogger Guilherme Mallet disse...

Excelente, Ricardo.

Vários estádios que foram construídos para atender uma necessidade transitória de um evento, estão hoje em vias de sucateamento. Não foram pensados para o longo prazo.

Principalmente os estádios feitos com a pista atlética, os estádios olímpicos. O mercado do futebol tem sido implacável com eles.

 
Às 12 de setembro de 2009 22:45 , Anonymous Anônimo disse...

Ricardo, muito se fala num novo estadio em sao paulo. Opcoes ha varias: Pirituba, Tatuape, Itaquera e Campo de Marte. Eu, particularmente gostaria que o novo estadio fosse onde hoje e o Joquei Clube de Sao Paulo pelas facilidades de acesso: metro, trens, duas avenidas e uma via expressa.

O que vc pensa deste assunto? Sugereria algum lugar pra este novo estadio?

Pedro

 
Às 14 de setembro de 2009 02:00 , Blogger Novas Arenas disse...

Anonimo, atualmente as únicas arenas no mundo que são lucrativas apenas com game-day são as americanas, que possui um modelo esportivo e aspectos culturais bem diferentes de Europa e Brasil, por exemplo. Uma franquia de NFL dependendo do mês consegue realizar 6 jogos em sua arena. O nosso "modelo de negocio" necessáriamente precisa ser outro. Infelizmente quando nesse momento os projetos de estádios para 2014 estão sendo discutidos, a discussão gira apenas em torno do aspecto arquitetônico e se o mesmo será "verde" ou não. O modelo de negocio, que é o fundamental para a sobrevivencia a longo prazo do projeto, é esquecido.
Guilherme, em breve estarei postando algo sobre o paradoxo arenas com x arenas sem conformação olímpica.
Pedro, pensar em construir uma nova arena em SP sem resolver o futuro do Pacaembu não me parece razoável, a menos que seja um investimento totalmente privado,pois afinal, cada um tem liberdade de fazer o que quiser com recursos próprios não é verdade ? Abs.

 

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