quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Templo do Superbowl 2008 II

O gramado retirado da arena, "tomando sol" e liberando o espaço interno para outras utilizações.


Vista interna de uma das 88 luxuosas suítes, incluindo parte da área interna, e a parte externa.


Espaço interno livre, com vista dos trilhos por onde correm os discos de aço que deslocam a "caixa" com o gramado.

Vista da área de circulação interna. Espaços amplos, acabamento simples e de fácil manutenção, com um dos 310 pontos de venda de comida e bebida ao fundo.


Vista parcial dos 4 níveis de assentos.


Detalhes da estrutura que através de dois painéis translúcidos retráteis abrem e fecham a arena em apenas 10 minutos. Quando fechada a arena é totalmente climatizada.





Incidente em Criciúma: Seria possível evitar ?

Tristes os acontecimentos em Criciúma. Selvageria explícita e o recrudescimento de uma forma inaceitável de comportamento em sociedade. Um momento oportuno para reflexões, e, dentro do nosso tema, perguntarmos: o que poderia ter sido feito para que esse episódio lamentável fosse evitado ?
Inicialmente, vamos recuar no tempo e lembrar de exemplos fora do país. A década de 80 gerou alguns dos maiores "cases" do gênero na Europa. Felizmente, algumas daquelas tragédias aceleraram medidas que revolucionaram a segurança e a administração dos riscos nas arenas esportivas, principalmente no Reino Unido, pivot de quase todos os acidentes graves a que me referi. Entre várias medidas importantes adotadas, a maioria após a tragédia de Hillsborough em 1989, as mais relevantes foram: mudanças radicais nos projetos de construção de novas arenas a partir da data do documento que regulou essas medidas, o Taylor Report, e a consequente adequação das arenas existentes até o ano de 1995, além da introdução da chamada "segurança invisível". Investigando as alternativas no caso de Criciúma, e considerando que a infra estrutura do estádio apesar de deficiente não teve participação preponderante, uma vez que não havia superlotação, fica clara a fragilidade da segurança em termos de tecnologia, e pior, projeta essa deficiência para a esmagadora maioria das arenas esportivas brasileiras. A tal "segurança invisível" que contribuiu para uma sensível redução de riscos nos estádios da Europa e Estados Unidos, nada mais é do que um sistema eficiente de cameras, e farta quantidade de informação conscientizando o torcedor que na prática de qualquer ato de violencia ou vandalismo, ele será fácilmente identificado, responsabilizado, processado, e eventualmente, preso. O popular "Sorria vc está sendo filmado". Parece pouco, mas uma revista na entrada com detetor de metais, e a certeza de que seriam facilmente identificados e presos, com certeza teria evitado essa tragédia.
Em breve retornarei ao tema Segurança, que é um dos ítens fundamentais na gestão operacional, não só de uma arena esportiva, mas de qualquer espaço de entretenimento.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Gol contra

Temos lido na imprensa nesses últimos dias várias notícias envolvendo negociações entre clubes e investidores para a construção de arenas. Tudo com o qual, nós profissionais da área, sempre sonhamos. Demanda forte do mercado, interesse de investidores privados, economia aquecida, infra estrutura esportiva precária. Todos os ingredientes para um "boom" que poderá prover o país nos próximos anos de uma infra a altura de sua evolução dentro dos campos, pistas, quadras e piscinas. Lamentávelmente entretanto, as notícias que pipocam na imprensa são as piores possíveis. Negociações com transparencia zero (independente de determinadas negociações necessitarem de ações sigilosas pontualmente), e interesses de lobistas e investidores sob suspeita, causam apreensão em relação aos rumos que esse novo nicho de oportunidades podem tomar. No Rio, após um período de boatos e ações frustradas, onde novas arenas para Fla, Flu e Botafogo ficaram no quase, prevaleceu a cultura do investimento público. Mais dinheiro no Maracanã, convencendo Fla e Flu a partilharem o espaço, e a construção e licitação pelo Município do estádio Olímpico, num projeto cheio de equívocos, mas capaz de convencer o Botafogo a desistir de uma arena própria em troca do arrendamento por 20 anos. Já em SP, apesar do capital privado prevalecer nas inversões previstas, existe suspeita em relação aos interesses das construtoras envolvidas nos projetos de Palmeiras e Corinthians. Em relação a esse último, fica evidente os muitos equívocos já cometidos. Em primeiro lugar, o clube não possui em seus quadros especialistas em planejamento e gestão de arenas. Desconfio que esses profissionais são especializados em algo cujo conhecimento faz parte do senso comum, como o futebol, onde todos são técnicos e especialistas, ou pelo menos entendem que são. Sem especialistas para nortear os pontos de interesse do clube, este ficou ao sabor de projetos elaborados por terceiros com características que nem sempre correspondem aos interesses do clube. Aí o clube comete o segundo equícoco. Elegeu uma comissão de corinthianos notáveis, profissionais de relevo sem dúvida, principalmente na área financeira, para que esta escolhesse o melhor entre os projetos apresentados. Ou o menos pior, se nenhum fosse totalmente dentro dos interesses do clube. Mas a pressão de lobistas e de construtoras foi tão grande e tão constrangedora, que os notáveis pediram para sair. Uma bóia salvadora que o Presidente do clube deve aproveitar para colocar ordem na casa e salvar alguma coisa do incêndio e ainda manter acesa a esperança do clube em possuir a sua arena. Mas do jeito que deve ser, com a certeza que o clube estará se associando ao projeto que efetivamente corresponda aos interesses do Corinthians, não só no curto, mas principalmente no longo prazo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O Templo do Superbowl 2008

Quem viu a decisão do último Superbowl sabe do que estou falando. A arena do Arizona Cardinals, a University of Phoenix Arena, é um prodígio de state of art em termos de infra esportiva. Ao custo de U$ 455 milhões, possui uma tecnologia embarcada de última geração tornando-a uma arena multiuso na acepção da palavra. O blog esteve lá e mostra porque esse equipamento é considerado um dos 10 melhores do mundo na atualidade.

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O teto retrátil opera em 10 minutos. O campo é removido inteiramente por um sistema de trilhos em apenas 1 hora. Esse é o verdadeiro conceito de multifuncionalidade. Disponibilidade total para qualquer tipo de evento quantos forem possíveis. O acabamento interno não é luxuoso, apenas prático e de fácil manutenção. O custo se deve quase que unicamente a tecnologia.

Estacionamento ? 25.000 vagas no entorno e em até 1.000 metros de distância. Em outro post, mostraremos fotos de outros detalhes e mais números impressionantes deste templo esportivo.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Mudança no Estatuto do Torcedor já !!!

Inicialmente vamos deixar bem claro. O ET é necessário, fazia falta, e veio em boa hora. Mas, como todo instrumento regulador, pode e deve ser aprimorado. Com o ET não é diferente. E a mim em particular, causa espanto a redação do capítulo que trata da segurança do torcedor. Gente, é surreal. Espanta o fato de que muito provavelmente nenhum especialista em segurança de arenas foi convidado a participar da redação do capítulo. Se foi, adoeceu naquele dia. E ainda, a capacidade de tentar reinventar a roda. Enquanto em todo o mundo civilizado ( a primeira edição do Green Guide britanico, por exemplo, é de 1973 ) a responsabilidade pela segurança ao torcedor é inquestionávelmente do proprietário da arena, e/ou seu gestor, o ET inova, responsabilizando o mandante do jogo (??) e o organizador da competição. Bem, pensemos juntos. O Corinthians aluga o Morumbi, para mandar seu jogo contra o Santos. Um alambrado desaba e fere vários torcedores. Quem paga esse pato ? Pelo ET, o Corinthians. E ainda sobra para o organizador da competição. Mas pera lá. Quem cuida da estrutura do estádio ? Quem comanda o esquema de segurança interno, incluindo o controle de acesso do público ( e impedindo uma eventual super lotação ) ? Em resumo, quem é o dono e gestor do estádio, e a quem cabe sua manutenção ? Pelo ET o São Paulo não pode ser responsabilizado. No tal mundo civilizado, numa situação como a descrita seria exatamente ele o responsável. Sinto pena do Bahia.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

E os "legados" ?

Legado virou termo de primeira hora. Está na moda citar o "legado" que o evento X vai deixar, ou que o evento Y deixou, e geralmente na defesa de mais alguns inve$timentos em outros eventuais "legados". Os tais legados normalmente se referem a vilã-mor de todos os grandes eventos. A maldita e custosa infra-estrutura. Ahhh que bom se pudéssemos realizar grandes eventos sem ela. Mas, como a realidade é implacável, não tem jeito. É sempre ela que domina as dotações orçamentárias. Agora estamos em meio a uma nova postulação brasileira para sediar uma Olimpíada. E desde já, um dos fatores positivos alegados é o da existência de um "legado" deixado pelo Pan, que faria com que o custo da infra-estrutura necessária para a Olimpíada fosse menor. Faz sentido. O que me preocupa, é que quando se pensa em infra-estrutura, normalmente remete-se a uma construção inerte e fria, e não como deve ser, um organismo vivo, em permanente renovação, e principalmente, auto sustentável. Não sendo assim, torna-se apenas um grande elefante branco. Um monumento à vaidade de políticos, à ganância de construtores, e à ambição de dirigentes. Me preocupo por exemplo com o destino do Velódromo do Rio de Janeiro. Pista de primeiro nível, referencia na América Latina, mas com destino incerto. Fruto da necessidade imediata de um local para provas do Pan, pensou-se na construção e não no projeto. Poderia, como projeto, tornar-se um excelente centro de treinamento continental, com alojamentos de alto nível, centro de convivência, lojas de equipamentos, auditórios e espaços para eventos, entre outros, que tornariam o projeto auto sustentável e independente de verbas públicas, mas construíram apenas um velódromo. Esse é o tipo de "legado" que me assusta.

Problemas de acesso

Tenho recebido mensagens de pessoas que estão com dificuldades em comentar os posts. Acho que é preciso ter uma conta do gmail para isso. Para quem quiser participar sem ter que abrir a conta, envie sua mensagem para novasarenas@gmail.com . Conto com vcs para que eu possa avaliar a aceitação dessa iniciativa. Abraços.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fresquinhas

Portugal conclui em outubro próximo a construção de um novo autódromo. O projeto incluirá um campo de futebol, um hotel luxuoso, e apartamentos residenciais. A capacidade será de 100.000 expectadores, com uma torre vip para 15.000 lugares, e consumirá um investimento de 200 milhões de euros.

O presidente da FIFA, Joseph Blatter, disse que provavelmente alguns estádios que sediarão jogos da Copa de 2010, utilizarão gramados artificiais. Apesar de contar com a pouca simpatia de técnicos e jogadores, pesa o interesse dos proprietários das arenas. A grama artificial permite a utilização do campo para inúmeras atividades em intervalos curtos de tempo, ao contrário da grama natural.

Enquanto no Brasil os clubes penam com a Globo pela omissão na exposição da marca das heróicas empresas que se aventuram em ações de "naming rights", nos EUA mais uma marca deve ser batida em breve. A nova e espetacular arena a ser compartilhada pelos Giants e pelos Jets, deve expor o nome de alguma grande corporação que deverá pagar por 20 anos de exposição, a bagatela de U$ 30 milhões por ano, superando a marca de U$ 20 milhões que o Citygroup paga ao Mets (baseball). Mas já imaginaram se a mídia local fizesse como a Globo ? Que prejuízo para as franquias heim....em outro post vamos falar mais de "naming rights", e da futura e fabulosa arena que deverá custar U$ 1,3 bilhão !!!!

O adeus de Guga e a herança no tênis

Ontem o Guga disse adeus às competições no Brasil. Um fenômeno. Sem estrutura, física e material, sem apoio de federação, construiu uma carreira brilhante, sendo considerado numa enquete especializada um dos 40 melhores tenistas de todos os tempos. Um dos temas de discussão mais frequentes desde sua anunciada decadencia física, é o da chamada herança-Guga no tênis brasileiro. A conclusão recorrente é a de que nossos dirigentes e autoridades não souberam aproveitar essa era de ouro para massificar a prática do esporte, popularizando-o e preparando uma geração de novos Gugas. Independente das políticas públicas que poderiam ter sido implantadas para que aquele objetivo fosse alcançado, meu olhar, claro, se volta para a questão da infra-estrutura. Não existe infra tenística no Brasil. Não possuímos um grande palco, um centro tenístico de porte, permanente, que suporte uma eventual evolução do esporte no país. Nossos palcos são alguns clubes fechados tradicionais, estruturas temporárias para sediar alguma competição pontual, ou uma ou outra arena indoor utilizada em algum evento de maior mídia. Eu pergunto: seria inviável a construção de um equipamento multiuso, mas focado como centro de treinamento e palco de grandes competições, no Brasil ? Haveria interesse de capitais privados num projeto desses ? Precisaríamos primeiro desenvolver o tenis para depois construírmos essa infra, ou primeiro deveríamos ter a infra para que o esporte se desenvolva ? Numa analogia com o esporte mais popular, em todas as épocas, a construção de grandes equipamentos esportivos representou saltos de desenvolvimento notáveis. Em todos os continentes. E vcs, o que acham ? Existe espaço para investimento em infra tenística no Brasil ?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Apresentação

Esse blog está começando hoje, 12/02/08. Espero que seja um fórum de discussões, fonte de informações, e bate papo, para todos aqueles que trabalham ou se interessam por esse assunto. Pretendo usar este espaço para divulgar minhas idéias, trocar experiências, propor assuntos que suscitem uma boa e saudável discussão, conversar sobre temas polemicos, e manter informados a todos que frequentem esse espaço das últimas novidades em infra-estrutura esportiva pelo mundo afora. Espero a participação de todos. Enjoy it.